Rio de Janeiro: e a sombra da corrupção

Nova série: pregoeiros do Brasil

Por Aline de Oliveira / Sollicita

Iniciamos hoje a série de reportagens chamada ‘Pregoeiros do Brasil’ para mostrar com a função do pregoeiro é avaliada por eles mesmos, quais as dificuldades mais encontradas e como está a busca por inovações na área das compras públicas.

Rio de Janeiro: e a sombra da corrupção

A cidade do Rio de Janeiro, que já foi à capital do Brasil, sinônimo de beleza, cultura e literatura hoje é mais conhecida como uma das cidades mais perigosas, marcada pela fragilidade do governo, crime organizado, pobreza e corrupção.  Segundo o coordenador da Lava Jato, Deltan Dellagnol, o estado do RJ é a amostra do prejuízo da corrupção á sociedade.

E como é ser pregoeiro nesse cenário?

Thiago de Azevedo Pereira, Assistente em Administração e Coordenador de Licitações e Contratos do IFRJ - Campus São Gonçalo, é pregoeiro há dois anos e sente bem isso na pele.

“Infelizmente o brasileiro tem fama de corrupto e grande parte dessa corrupção é originada de licitações fraudulentas, com isso os órgãos de controle ficam bastante em cima, tratando todos como se fossem desonestos. Gerando bastante transtornos aos que agem dentro da legalidade, gerando bastante serviço e pouco retorno remuneratório”, conta.

Além da corrupção, assim como em outros Estados do Brasil os órgãos públicos são marcados por poucos servidores para atender todas as demandas da população.

“Nossa maior dificuldade é com mão de obra, como nosso órgão tem poucos servidores acaba sobrecarregando todos de compras. Com montagem de Edital, pesquisa de preços, solicitações de fornecimento e ainda têm os fornecedores que não cumprem com o previsto em edital”, conta Pereira.

No IFRJ o material mais licitado é de expediente, de usos diários como canetas, papéis e também uniformes escolares.

Questionado se quando tornou-se pregoeiro imaginava tudo que ia viver, Pereira respondeu que sim e que não. “A área de compras já tem a sua "fama" de área complicada, com isso eu já imaginava o que poderia vir, mas veio em dobro”, diverte-se.

Sobre a capacitação: “com muitos informes e decisões diárias do TCU a capacitação para o pregoeiro se torna uma obrigação”, afirma.

Mas Pereira não se considera nem valorizado e nem bem capacitado. “Como exposto acima a função de pregoeiro é uma função delicada, de muitos riscos. Acredito que deveria haver uma remuneração específica para tal. Acerca da capacitação o servidor tem que estar diariamente se atualizando”.

Pereira ainda sim tem boa esperança no futuro. “Com um salário compatível ao grau de responsabilidade e visto pelos órgãos regulatórios como uma pessoa honesta até que se prove o contrário”, conclui.

 

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