O que é Building Information Modeling (BIM)?

Modelagem pode melhorar os índices de governança de obras públicas

Por Aline de Oliveira

Antes de dizer o que é BIM (Building Information Modeling), em português “Modelagem da Informação da Construção”, é importante explicar o que não é BIM.

O engenheiro civil Hamilton Bonatto, que é procurador do Estado do Paraná, chefe do Núcleo Jurídico da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística, da Autarquia Paraná Edificações e é instrutor da Escola de Governo do Paraná, explica que não se trata de softwares de planejamento, de orçamento, de comunicação gerencial, de gráficos apenas 2D ou 3D isolados e que não sejam abertos a outros softwares.

“Os softwares, de maneira geral, não são conectados entre si através de informações de um modelo real de edificação. A tecnologia Modelagem de Informação da Construção (BIM), ao contrário, é um processo integrado e multidisciplinar que permite, por meio de automatizações, análises qualitativas e quantitativas mais precisas das futuras obras, obter informações coerentes e confiáveis para todo o ciclo de vida do empreendimento. É uma junção de informações de edificação que remete ao produto final desejado de uma obra e/ou serviço de engenharia”, destaca.

Segundo o procurador, o BIM é um instrumento muito importante para melhorar a governança das obras públicas.

Para ele, as fases devem ser relacionadas, que são: estudo de viabilidade, Termo de Referência para a licitação e contratação do projeto básico e/ou executivo licitação dos referidos projetos, contratação dos projetos, licitação da obra ou serviço de engenharia e a pós-ocupação.

“É importante que os empreendimentos públicos, desde o estudo de viabilidade até à pós-ocupação, se mantenham numa constante realimentação, com as fases unificadas dentro de um sistema que possua fases, sim, mas que se relacionem e permitam a padronização por meio de critérios que lhes orientem. Deve ser considerado um processo em que pese o fato dessas fases serem separadas - mas não fragmentadas – que elas estejam interconectadas e se relacionem para, ao fim, se chegar ao padrão de sustentabilidade”.

De acordo com o especialista, a plataforma BIM permite essas interconexões e, como consequência, reduz inconsistências, dá melhor exatidão aos quantitativos, permite celeridade na análise e possibilita a transparência.

“Por outro lado, faz também a interconexão entre todas as disciplinas de um projeto, de forma em que profissionais, autores de diferentes projetos, trabalhem ao mesmo tempo, no mesmo arquivo, cada um na sua especialidade, atualizando as informações em tempo real”.

Licitações de obras públicas

Bonatto explica que, usando o BIM, as licitações são feitas da mesma forma.

“Em nada muda. Apenas o produto a ser exigido, seja na elaboração dos projetos, ou no gerenciamento da obra. O produto a ser entregue pelo adjudicatário é que é outro, uma vez que deve fornecer todas as informações, inclusive a respeito do cumprimento do cronograma para a execução da obra, a possibilidade de testar soluções virtuais a serem implantadas no mundo real, a facilidade de revisar os projetos, e ainda, o compartilhamento de informações entre os projetistas e, entre esses e o executor da obra”.

Como o BIM é usado em outros países para contratações de obras públicas

A plataforma BIM está em fase avançada de utilização em muitos lugares no mundo. Bonatto cita alguns exemplos:

- Nos Estados Unidos, os novos edifícios públicos projetados devem utilizar o BIM na fase de projetos;

- Singapura implementou o sistema de aprovação de projetos mais rápido do mundo por meio da BIM;

- O objetivo primordial da iniciativa do Governo do Reino Unido, no setor da construção, é reduzir o custo dos projetos de construção do governo em 20% e reduzir a intensidade da emissão de carbono, de acordo com seus compromissos de carbono da União Europeia e com as ferramentas BIM;

- Na Noruega, a empresa estatal Statsbygg decidiu pela utilização do BIM para todo o ciclo de vida dos seus edifícios;

- Na Dinamarca, a empresa estatal the Palaces & Properties Agency, e o Defense Construction Service exigem o BIM em todos os seus projetos;

- A estatal finlandesa Senate Properties obriga o uso do BIM em seus projetos desde 2007. Aliás, a Finlândia é pioneira na utilização da plataforma BIM em obras de engenharia, possuindo projetos desde o ano de 2001;

- A Hong Kong Housing Authority exige que todos os novos projetos utilizem o BIM desde 2014;

- Na Coreia do Sul, o Public Procurement Service obriga o uso compulsório do BIM desde 2016 para projetos superiores a 50 milhões de dólares (setor privado) e para todos os edifícios públicos;

- Na Holanda, desde 2011 o BIM é obrigatório para projetos públicos. Em 2012, o Dutch Ministry of the Interior (RGD) obriga o uso do BIM para uso na manutenção de projetos grandes;

- No Chile, desde 2011, o Ministério de Obras Públicas exige a tecnologia BIM em licitações de hospitais;

- Em 2010, a taxa de adoção da plataforma na Alemanha era de 36%; na França, 38% e, no Canadá, 72%.

“Como se pode observar, os governos desses países têm sido indutores da utilização da plataforma BIM, e os dados demonstram que é possível a adoção da tecnologia nas licitações e contratações de obras no Brasil”, avalia Bonatto.

***Confira a matéria completa sobre o BIM na revista "Negócios Públicos" de Setembro. Nela, você poderá conferir os índices brasileiros, a cooperação técnica que está acontecendo entre os estados do sul do País e como implantar o BIM.

Imagens: Waewkidja e jannoon028/Freepik 

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